Quero Publicar

Crie sua conta gratuita para favoritar chamadas, receber alertas por email e acessar busca com IA!

QUALIS A4
Gratuito
Revista Científica
7 visualizações
0 pessoas ativaram alerta

Chamada de Artigos para Dossiê "Amazônia em disputa: Megaempreendimentos, conflitos socioambientais e mobilizações coletivas em territórios e territorialidades tradicionais"

Somanlu: Revista de Estudos Amazônicos (UFAM)

ISSN: 2316-4123

Prazo: segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Faltam 14 dias para o encerramento

Descrição da Chamada

A Somanlu: Revista de Estudos Amazônicos, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia da Universidade Federal do Amazonas, torna pública a chamada para submissão de artigos científicos para o dossiê temático Amazônia em disputa, megaempreendimentos, conflitos socioambientais e resistências em territórios tradicionais, a ser publicado na primeira edição de 2026. As submissões deverão ser realizadas até 31/08/2026.

Organizadores:
Profa. Dra. Caroline Barbosa Contente Nogueira – Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
Profa. Dra. Pietra Dolamita (Kowawa Kapokaja Apurinã) - Instituto Pupykari.
Prof. Dr. Bruno de Oliveira Rodrigues - Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
Prof. Dr. Sidnei Clemente Peres - Universidade Federal Fluminense (UFF)

O dossiê tem como objetivo reunir pesquisas que analisem, a partir de diferentes perspectivas das Ciências Humanas, Ciências Sociais, Ciências Sociais Aplicadas e de campos interdisciplinares, os conflitos socioambientais produzidos ou intensificados por processos contemporâneos de reconfiguração territorial na Amazônia. Interessa, em especial, compreender como megaempreendimentos econômicos e novas frentes de expansão do capital incidem sobre territórios indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, camponeses e demais territórios tradicionalmente ocupados, instaurando disputas entre diferentes projetos de desenvolvimento, formas de uso dos bens ambientais, modos de vida, territorialidades e estratégias coletivas de permanência e resistência.

Historicamente, a Amazônia tem sido posicionada, no Brasil e no cenário internacional, como espaço estratégico de sucessivos ciclos de ocupação, exploração econômica, territorialização estatal e expansão das fronteiras do capital. Da economia colonial das drogas do sertão aos ciclos da borracha, dos projetos de integração nacional e colonização dirigida às atuais frentes minerárias, energéticas, agropecuárias, logísticas e financeiras, a região tem sido continuamente reinscrita em projetos externos de apropriação territorial, extração de bens ambientais e reorganização de seus espaços, povos e modos de vida.

Nesse movimento, projetos de mineração, infraestrutura logística, hidrovias, rodovias, ferrovias, portos, exploração de petróleo e gás, agronegócio, energia, mercado de carbono, economia verde e transição energética passaram a compor novas e antigas fronteiras do desenvolvimento na região. Esses processos instauram contextos de antagonismo entre diferentes formas de uso, apropriação, cuidado e significação da terra, das águas, das florestas e dos bens ambientais, colocando em tensão racionalidades econômicas voltadas à acumulação, à circulação de mercadorias e à inserção da Amazônia em mercados nacionais e globais, de um lado, e estratégias comunitárias de reprodução social, permanência territorial, organização política e continuidade dos modos de vida, de outro.

Tais processos não apenas alteram a organização espacial e econômica da Amazônia, mas também produzem profundas transformações nas territorialidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, extrativistas, camponesas e dos demais povos e comunidades tradicionais. Frequentemente justificados em nome do crescimento econômico, da integração regional, da segurança energética ou da sustentabilidade, têm implicado expropriação, deslocamentos, violência fundiária, conflitos socioambientais, desestruturação de economias comunitárias, impactos sobre ecossistemas e imposição de racionalidades externas aos modos próprios de relação com a terra, as águas, as florestas e os bens ambientais.

A noção de fronteira, nesse contexto, permite compreender a Amazônia não apenas como espaço geográfico de expansão econômica, mas como campo histórico de disputas entre projetos distintos de sociedade, natureza, território e desenvolvimento. A fronteira amazônica não se reduz ao avanço físico de obras, empresas, mercados e infraestruturas sobre áreas tratadas como disponíveis, vazias ou subutilizadas. Ela envolve a produção de novas relações de poder, a reorganização de espaços e populações, a intensificação de conflitos fundiários e socioambientais, a ampliação de desigualdades territoriais e a disputa sobre os sentidos legítimos de uso, proteção, apropriação e reprodução da vida na região.

Nesse cenário, os megaempreendimentos não podem ser analisados como iniciativas isoladas de desenvolvimento econômico, nem como simples objetos técnico-administrativos submetidos a procedimentos de licenciamento, avaliação de impacto ou governança ambiental. Eles integram arranjos complexos que articulam Estado, empresas, cadeias produtivas, financiamento público e privado, regimes normativos, instrumentos de gestão territorial, discursos de sustentabilidade e estratégias de inserção da Amazônia em circuitos nacionais e globais de acumulação. Ao mesmo tempo, sua implementação tem suscitado resistências comunitárias, mobilizações coletivas, reivindicações de consulta e consentimento livres, prévios, informados e de boa-fé, denúncias de violações de direitos, produção de protocolos próprios, litigância estratégica, articulações transnacionais e formulações alternativas ao modelo hegemônico de desenvolvimento.

O dossiê pretende, assim, estimular reflexões críticas sobre os processos contemporâneos de reconfiguração territorial da Amazônia, com especial atenção aos conflitos, antagonismos e mobilizações coletivas produzidos pela incidência de megaempreendimentos sobre territórios e territorialidades tradicionais. Busca-se acolher contribuições que examinem tanto os efeitos materiais, políticos, jurídicos, econômicos, culturais, ambientais e simbólicos desses processos quanto as estratégias de enfrentamento, permanência, autodeterminação, defesa territorial e produção de alternativas formuladas por povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas, extrativistas, camponesas, movimentos sociais, organizações comunitárias e redes de apoio.

São bem-vindos trabalhos que analisem os seguintes eixos temáticos:

Ocupação territorial, desenvolvimento e fronteiras econômicas na Amazônia;
Estado, políticas públicas, infraestrutura e megaempreendimentos;
Territorialidades, modos de vida e conflitos socioambientais em territórios tradicionais;
Consulta, consentimento, licenciamento ambiental e governança socioambiental;
Empresas, cadeias produtivas, financiamento e responsabilidade socioambiental ;
Crise climática, transição energética, racismo ambiental e colonialismo verde;
Mobilizações coletivas, resistências territoriais, movimentos sociais e produção situada do conhecimento.
Com esta chamada, a Somanlu pretende contribuir para o aprofundamento do debate acadêmico e público sobre as dinâmicas políticas, econômicas, territoriais, culturais e ambientais que atravessam a Amazônia contemporânea, reunindo pesquisas teóricas, empíricas, etnográficas, documentais, jurídicas, históricas e interdisciplinares que permitam compreender os megaempreendimentos não apenas como projetos econômicos ou obras de infraestrutura, mas como dispositivos de reorganização social e territorial, cujos efeitos incidem sobre povos, comunidades, ecossistemas, modos de vida e futuros possíveis para a região.

Áreas do Conhecimento

Desenvolvimento Regional
Economia Regional
Teoria do Planejamento Urbano
Políticas Públicas
Geografia Humana

Detalhes Técnicos

  • Classificação:
    QUALIS A4
  • Tipo:Revista Científica
  • ISSN:2316-4123
  • Taxa:Gratuito (sem taxas)
  • Submissão:Até 31/08/2026

Informações de Publicação

Publicado em: 22/07/2026
Atualizado em: 22/07/2026

Leituras Recomendadas

(1/2)
Pesquisa de estudo de caso: princípios e práticas

Pesquisa de estudo de caso: princípios e práticas

John Gerring

A cidade do pensamento único

A cidade do pensamento único

Otília Arantes, Carlos Vainer e Ermínia Maricato

Pesquisa qualitativa do início ao fim

Pesquisa qualitativa do início ao fim

Robert Yin

Links de afiliado - Ao comprar, você apoia o Quero Publicar

Quero Publicar

Conectando pesquisadores com oportunidades de publicação

Institucional

Apoie

Legal

Acesso

© 2026 Quero Publicar. Todos os direitos reservados.

7.651 visualizações