Chamada de Artigos para Dossiê "Curadoria do imprevisível: a exibição da performance em exposições de arte"
PÓS - Revista do Programa de Pós-graduação em Artes da EBA/UFMG
ISSN: 2238-2046
Prazo: domingo, 20 de dezembro de 2026
Faltam 101 dias para o encerramento
Descrição da Chamada
A performance, entendida enquanto ação artística, foi concebida por grande parte dos artistas, críticos e historiadores na segunda metade do século XX como uma prática radical, efêmera e resistente ao mercado de arte (Goldberg, 2006; Fabião, 2019; Cruz, 2022). A partir dos anos 1990, no entanto, ações diversas passaram a se destacar em exposições, feiras de arte e programas públicos de instituições, apartando-se da beligerância atribuída à performance (Oliveira, 2017; Goldberg, 2018; Wood, 2018; Albarrán, 2019). O MoMA instituiu seu Departamento de Mídia e Performance em 2006 e a Tate Modern abriu em 2012 o espaço The Tanks para sediar instalações e live art. Bienais passaram a incluir e a premiar a performance para além da exibição de vestígios, registros e outros remanescentes materiais.
No Brasil, ações performáticas são expostas pelo menos desde os anos 1960 e integram coleções no país há mais de 20 anos (Caetano, 2019; Tinoco, 2021; Silva, 2021). O Instituto Brasileiro de Museus publicou, em 2025, um guia para a preservação dessas obras, abrindo um novo capítulo no processo de convivência entre artistas, colecionadores, mercado e instituições.
Neste processo, aos poucos, a prática curatorial passa a impactar a visibilidade das performances em museus e outros espaços dedicados às artes visuais, tentando organizar seu tempo, seus caminhos, seus valores, sua documentação, até mesmo a postura do espectador. Para muitos artistas, o desafio amplifica-se: como conviver e resistir às imposições institucionais, simultaneamente? Para curadores, o desafio não é menor: como conciliar as práticas interpretativas contemporâneas da curadoria com as demandas específicas das ações performáticas? Para mediadores de toda ordem – críticos, educadores, historiadores da arte, museólogos, conservadores – a questão não se limita a como a performance deve ser abordada, mas se estende a como a própria curadoria pode ser percebida quando suas formas institucionais não são mais suficientes para dar conta das condições e exigências poéticas dessa linguagem. A seu modo, a performance reconfigura espaços em que opera, imantando e animando as obras e acervos em contato com ela, ao mesmo tempo em que desafia cânones do circuito artístico e a autoridade de curadores, museus, galerias e arquivos, expondo o envolvimento deles com estruturas políticas e econômicas mais amplas.
Diante desses dilemas, a exibição de performances ganhou visibilidade e os vestígios materiais e documentais passaram a compor um fluxo cada vez maior de informações. Essa expansão na circulação da produção performática exigiu adaptações e novas abordagens curatoriais, considerando as exigências das instituições culturais: emprego de tecnologias digitais; imposições patrimoniais e censura; questionamentos sobre autoria e autenticidade; formas de apresentação; responsabilidades com a exibição do vestígio; regimes de trabalho; práticas curatoriais processuais e colaborativas. Investigações empreendidas por artistas e coletivos remodelaram as maneiras pelas quais as práticas performáticas passaram a ser compreendidas, representadas e interpretadas no âmbito das artes visuais, desafiando antigas formas de visibilidade, práticas do colecionismo, modelos curatoriais, dentro e fora dos ambientes convencionais do mundo da arte.
O presente dossiê busca pesquisas sobre estratégias curatoriais e expositivas que implicaram na difusão de performances e de outras práticas relacionadas (corporais, coreográficas, cênicas) em espaços culturais e museológicos dedicados às artes visuais no Brasil ou no exterior. Nossa intenção é oferecer reflexões sobre diferentes modos de ativação, concepção curatorial, exposição e colecionamento, explicitando como as práticas performáticas são negociadas poética, ética e curatorialmente no âmbito da arte contemporânea.
Esperamos reunir: contribuições para uma metodologia de análise de projetos performáticos; estudos de caso sobre dinâmicas que, em termos de performance e curadoria, operaram em instituições artísticas; e o exame dessas dinâmicas do ponto de vista do espectador/participador. As contribuições podem adotar uma gama de abordagens teóricas, empíricas ou metodológicas. Propostas que abordem os seguintes temas são particularmente bem-vindas:
Processos de ativação, atualização e colecionamento de performance;
Práticas expositivas da performance e circulação dos cânones;
Emprego de tecnologias digitais em curadoria de performances;
Restrições, censura e autocensura institucional relacionada à performance;
Ativação, autoria e autenticidade das performances no âmbito das instituições museológicas;
Curadoria de performance e a mediação cultural;
Formas de apresentação, representação e responsabilidades dos vestígios de performance;
Modelos curatoriais, dilemas éticos e o trabalho dos intérpretes e/ou performers;
Práticas curatoriais processuais e colaborativas no âmbito da performance;
Residências artísticas e a curadoria de performance;
Curadoria de performance e os trânsitos geopolíticos das instituições globais;
Ativismos, histórias dissidentes ou ausentes e curadoria de performance.
Prazo para envio de artigos: de 10 de setembro a 20 de dezembro de 2026
Previsão de publicação: maio de 2027
Editores responsáveis pelo dossiê temático:
Profa. Dra. Bianca Andrade Tinoco (MAC USP/ PERCUR)
Prof. Dr. Emerson Dionisio de Oliveira (UnB/ PERCUR)
Prof. Dr. Juan Albarrán (UAM / PERCUR)
Áreas do Conhecimento
Detalhes Técnicos
- Classificação:QUALIS A1
- Tipo:Revista Científica
- ISSN:2238-2046
- Taxa:Gratuito (sem taxas)
- Submissão:Até 20/12/2026
Informações de Publicação
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