Chamada de Artigos para Dossiê "Lugar-Mundo desde Áfricas e Abya Yala. Antropologia e Artes em contextos de Florestas e de Desertos: Rastros, Agência e Dingpolitik"
Imagem: Revista de História da Arte
ISSN: 2965-2952
Prazo: sexta-feira, 30 de abril de 2027
Faltam 239 dias para o encerramento
Descrição da Chamada
Chamada para o Dossiê do Volume 09 (2027) organizado por Carolin Overhoff Ferreira (UNIFESP-BR), Denise Dias Barros (USP-BR), John Fletcher (UFPA-BR), Mahfouz Ag Adnane (UNIFESP-BR)
O dossiê Lugar-Mundo desde Áfricas e Abya Yala. Antropologia e Artes em contextos de Florestas e de Desertos: Rastros, Agência e Dingpolitik estabelece uma articulação transdisciplinar em sintonia estética e política com as sociedades das florestas e dos desertos.
A trama de relações envolvendo as Artes e a Antropologia pode servir de suporte para discutir outras percepções para as artes. Tais proposições, alocadas no território da criação e da adoção imagética de sujeitos culturalmente diversos, ajudam a gerar outra estratégia de reflexão sobre e para sociedades irregulares e interculturais (Édouard Glissant; Joan Fontcuberta), além de sinalizar a importância tanto da emoção e do sonho, como da partilha de saber e da transmissão cultural na escrita do nosso tempo (Tanella Boni/ Zélia Amador de Deus).
A proposta mobiliza os conceitos de lugar-mundo (Patrick Chamoiseau), ancestraliterra (Célia Xakriabá), rastro (Walter Benjamin, Ernani Chaves, Marisa Mokarzel), agência (James Clifford, Alfred Gell, Els Lagrou, João de Jesus Paes Loureiro, Agenor Sarraf) e dingpolitik (Bruno Latour) para tensionar a "virada reflexiva da antropologia" e evidenciar heterogeneidades em espaços de silenciamento histórico. Seja por meio da (auto)etnografia e/ ou de "poéticas da escavação", artistas e teóricos da floresta, das terras Abya Yala (conforme proposição Kuna), e de contextos africanos redefinem as categorias de arte e autoria, e tratam a criatividade como mecanismo de resiliência e sobrevivência diante das entropias modernas.
As sociedades contemporâneas são marcadas por complexidades em fricção a partir do projeto da modernidade que emergiu desde a Europa. Todavia, estas sociedades constroem desvios, agenciamentos e fabulações político-poéticas como resposta. São alguns dos afloramentos artísticos, possíveis de leitura pelas lentes antropológicas e dos estudos da arte, os quais podem oferecer pistas de que, afinal de contas, a criatividade humana é capaz de, senão superar nossas mazelas, ao menos criar mecanismos para nos ajudar a atravessá-las e superar elas.
O dossiê acolhe contribuições que explorem metodologias experimentais e coparticipativas, bem como propostas que reorganizem lacunas e promovam diálogos interdisciplinares. Busca-se reafirmar as artes e a reflexão crítica como territórios de (re)inscrição ética e política, em constante movimento e transformação.
Possibilidades de temáticas:
Artes e cosmopolíticas em contextos de florestas e desertos, a partir de perspectivas indígenas, africanas e diaspóricas.
Lugar-Mundo e territorialidades: espacialidades vividas, cartografias afetivas e poéticas da existência.
Rastros, memória e pós memória por meio de poéticas da escavação, arquivos, apagamentos, ditaduras, colonialidades e processos de reinscrição de histórias silenciadas.
Dingpolitik e Agências do Terceiro Ativo de objetos, imagens, artefatos e materialidades como mediadores culturais e políticos em contextos interculturais.
Estéticas e poéticas que emergem de ancestraliterras ou de contextos sem margens em diferentes modalidades de práticas criativas.
Diálogos Metodológicos (auto)etnografia, performance, escrita de si, virada reflexiva e experimentações metodológicas entre arte e antropologia.
Imagem, fabulação e imaginação como métodos críticos e dispositivos de criação de mundos e reinvenção de narrativas e modos de existência.
Prazo de Submissão: 30 de abril de 2027
Dossier: Lieu-Monde depuis les Afriques et Abya Yala. Anthropologie et arts dans les contextes des forêts et des déserts : Traces, Agentivité et Dingpolitik
Appel à contributions - volume 09 (2027)
Organisé par Carolin Overhoff Ferreira (UNIFESP-BR), Denise Dias Barros (USP-BR), John Fletcher (UFPA-BR) et Mahfouz Ag Adnane (UNIFESP-BR)
Le dossier « Lieu-Monde depuis les Africains et Abya Yala. Anthropologie et arts dans les contextes des forêts et des déserts : Traces, Agentivité et Dingpolitik » établit une articulation transdisciplinaire en harmonie esthétique et politique avec les sociétés des forêts et des déserts.
Le réseau de relations entre les arts et l’anthropologie peut servir de support pour discuter d’autres perceptions des arts. Ces propositions, situées dans le domaine de la création et de l’appropriation imagée de sujets culturellement divers, contribuent à générer une nouvelle stratégie de réflexion sur et pour des sociétés irrégulières et interculturelles (Édouard Glissant, Joan Fontcuberta), tout en soulignant l’importance de l’émotion, et du rêve, que du partage du savoir et de la transmission culturelle dans l’écriture de notre temps (Tanella Boni/ Zélia Amador de Deus).
La proposition mobilise les concepts de « lieu-monde » (Patrick Chamoiseau), d'« ancestraliterre » (Célia Xakriabá), de « trace » (Walter Benjamin, Ernani Chaves, Marisa Mokarzel), d'agentivité (James Clifford, Alfred Gell, Els Lagrou, João de Jesus Paes Loureiro, Agenor Sarraf) et de dingpolitik (Bruno Latour), afin de mettre en tension le « tournant réflexif de l'anthropologie » et de mettre en évidence les hétérogénéités dans les espaces de silence historique. Que ce soit par le biais de l'auto-ethnographie et/ou des « poétiques de l'excavation », les artistes et théoriciens de la forêt, des terres d'Abya Yala (selon la dénomination Kuna) et des contextes africains redéfinissent les catégories de l'art et de l'auteur. Ils considèrent la créativité comme un mécanisme de résilience et de survie face aux entropies modernes.
Thèmes possibles :
Arts et cosmopolitique dans les contextes des forêts et des déserts, à partir de perspectives autochtones, africaines et diasporiques.
Lieu-Monde et territorialités : spatialités vécues, cartographies affectives et poétiques de l’existence.
Traces, mémoire et post-mémoire à travers les poétiques de l’excavation, des archives, des effacements, des dictatures, des colonialités et des processus de réinscription d’histoires réduites au silence.
Dingpolitik et agentivité : tiers actif d’objets, images, artefacts et de matérialités en tant que médiateurs culturels et politiques dans des contextes interculturels.
Esthétiques et poétiques émergeant d’ancestraliterres ou de contextes sans marges dans différentes modalités de pratiques créatives.
Dialogues méthodologiques : (auto)ethnographie, performance, écriture de soi, tournant réflexif et expérimentations méthodologiques entre art et anthropologie.
L'image, la fabulation et l'imagination sont envisagées comme des méthodes critiques et des dispositifs de création de mondes, de réinvention de récits et de modes d'existence.
Date limite de soumission : 30 avril 2027
Referências bibliográficas/Références bibliographiques
Arfuch, L. (2010). O espaço biográfico: Dilemas da subjetividade contemporânea. EdUERJ.
Benjamin, W. (2011). Tiergarten. In Obras escolhidas II: Rua de mão única. Brasiliense.
Chamoiseau, P. (1997). Écrire en pays dominé. Gallimard.
Chaves, E. (2003). No Limiar do Moderno: Estudos sobre Friedrich Nietzsche e Walter Benjamin. Paka-Tatu.
Boni, T. (2010). La diversité du monde : réflexion sur l’écriture et les questions de notre temps.
Clifford, J. (1998). A experiência etnográfica: Antropologia e literatura no século XX. UFRJ.
Crapanzano, V. (1980). Tuhami: Portrait of a Moroccan. University of Chicago Press.
Deus, Z. A. (2019). Ananse tecendo teias na diáspora: uma narrativa de resistência e luta das herdeiras e dos herdeiros de Ananse. Secult-PA.
Enwezor, O. (2001). The short century : Independence and liberation movements in Africa, 1945–1994. Prestel.
Fischer, M. (2009). Anthropological futures. Duke University Press.
Fontcuberta, J. (2016). La furia de las imágenes. Galaxia Gutenberg.
Gell, A. (2018). Arte e Agência. Ubu.
Glissant, É. (2005). Poétique de la relation. Gallimard.
Hawad, M. (2002). Furigraphie. Éditions de l’Aube.
Kopenawa, D., & Albert, B. (2015). A queda do céu: Palavras de um xamã yanomami. Companhia das Letras.
Lagrou, E. (2003). A fluidez da forma: Arte, alteridade e agência em uma sociedade amazônica. Topbooks.
Latour, B. (2005). Reassembling the social : An introduction to actor-network-theory. Oxford University Press.
Marcus, G. E. (1995). The traffic in culture : Refiguring art and anthropology. University of California Press.
Mbembe, A. (2018). Necropolítica. n-1 edições.
Mokarzel, M. (2014). Navegante da Luz: Miguel Chikaoka e o Navegar de uma Produção Experimental. Kamara Kó Fotografias.
Paes Loureiro, J. J. (2015). Cultura Amazônica: uma Poética do Imaginário. Valer.
Sarraf, A. (2024) Marajó, o Coração da Amazônia: Afroindígenas e Agostinianos em Práticas Interculturais no Regime das Águas. Valer.
Xakriabá, C. (2024). Ancestraliterra: Sabedoria indígena na política e na universidade [Tese de doutorado, Universidade Federal de Minas Gerais]. Repositório Institucional da UFMG.
Áreas do Conhecimento
Detalhes Técnicos
- Classificação:QUALIS A2
- Tipo:Revista Científica
- ISSN:2965-2952
- Taxa:Gratuito (sem taxas)
- Submissão:Até 30/04/2027
Informações de Publicação
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