Chamada de Artigos para Dossiê "Sustainable Finance / Finanças Sustentáveis"
Revista de Administração Contemporânea
ISSN: 1982-7849
Prazo: terça-feira, 15 de dezembro de 2026
Faltam 135 dias para o encerramento
Descrição da Chamada
O campo de pesquisa em finanças sustentáveis tornou-se um dos mais relevantes da administração contemporânea. O
sistema financeiro global está sob a pressão de forças que desafiam a lógica financeira convencional, tais como a aceleração das
mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e as consequências sociais de transições econômicas profundas. Reguladores,
investidores e empresas têm respondido a essas pressões por meio de estruturas obrigatórias de divulgação, mercados de títulos
verdes (green bonds), integração de critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) e taxonomias nacionais. Contudo, essas
respostas frequentemente se mostram fragmentadas, contestadas e pouco fundamentadas em evidências. Sabemos que o capital
está se movimentando, mas ainda compreendemos pouco se essa movimentação ocorre de maneira eficaz, crível ou equitativa.
Nesse sentido, esta edição especial convida à submissão de pesquisas que contribuam para preencher essa lacuna.
Esse campo evoluiu substancialmente na última década. Os primeiros estudos focavam na relação entre responsabilidade
social corporativa, desempenho ESG e desempenho financeiro (Friede et al., 2015). As pesquisas mais recentes avançaram
para questões de maior complexidade e exigência: se os riscos climáticos são precificados pelos mercados financeiros (Bolton
& Kacperczyk, 2023; Pástor et al., 2021), como investidores institucionais percebem e gerenciam esses riscos (Krueger et
al., 2020), se títulos verdes e outros instrumentos de finanças sustentáveis produzem efeitos reais (Flammer, 2021), como o
investimento sustentável pode gerar impacto para os investidores (Kölbel et al., 2020), e como os problemas de mensuração
ESG afetam a pesquisa, a regulação e a prática (Berg et al., 2022).
As finanças sustentáveis também se tornaram mais contestadas. As classificações ESG divergem substancialmente
entre as agências de classificação e empresas especializadas, o que levanta preocupações quanto à validade da mensuração, à
comparabilidade e à opacidade metodológica (Berg et al., 2022). O greenwashing e o impact-washing desafiam a credibilidade
dos mercados de finanças sustentáveis e evidenciam a distância entre compromissos simbólicos e mudanças substantivas. Os
debates sobre o ‘fim do ESG’ também questionam a utilidade analítica de rótulos ESG abrangentes, que, em vez de esclarecer,
obscurecem os mecanismos pelos quais as finanças afetam empresas, mercados e a sociedade (Edmans, 2023). Longe de
enfraquecer a relevância das finanças sustentáveis, esses debates tornam essa agenda de pesquisa ainda mais urgente.
O contexto regulatório e institucional também passou por transformações. A publicação das normas IFRS S1 e IFRS S2
pelo International Sustainability Standards Board aproximou os riscos e as oportunidades relacionados à sustentabilidade dos
relatórios financeiros de propósito geral (IFRS Foundation, 2023a, 2023b). A divulgação climática, os planos de transição, as
taxonomias, os riscos financeiros relacionados à biodiversidade e as divulgações sobre a natureza expandiram o campo para além
dos relatórios ESG voluntários, refletindo as recomendações da Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (Taskforce on
Nature-related Financial Disclosures [TNFD], 2023). Diante disso, as finanças sustentáveis agora suscitam questões cruciais
sobre governança, prestação de contas (accountability), asseguração, infraestrutura de dados, gestão de riscos, alocação de capital
e as consequências sociais dos processos de transição.
Esperamos receber contribuições que abordem, entre outros, os seguintes temas:
• Finanças sustentáveis, responsáveis, verdes, sociais e de transição;
• Sustentabilidade em finanças corporativas, investimentos e gestão de ativos;
• Riscos financeiros relacionados ao clima, adaptação e resiliência;
• Biodiversidade, riscos relacionados à natureza e capital natural;
• Instrumentos de dívida sustentável e investimento de impacto;
• Bancos sustentáveis, risco de crédito e supervisão prudencial;
• Divulgação de sustentabilidade, relatórios e materialidade;
• Estruturas regulatórias, taxonomias e padrões de divulgação;
• Classificações ESG, greenwashing e credibilidade em sustentabilidade;
• Inclusão financeira, transição justa e efeitos distributivos;
• Políticas públicas, finanças para o desenvolvimento e análise de dados ESG;
• FinTech, finanças digitais e inovação sustentável.
Informações Adicionais
Áreas do Conhecimento
Detalhes Técnicos
- Classificação:QUALIS A2
- Tipo:Revista Científica
- ISSN:1982-7849
- Taxa:Gratuito (sem taxas)
- Submissão:Até 15/12/2026
Informações de Publicação
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