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Chamada de Artigos para o Dossiê “Antropologia, Trabalho e Imagens: perspectivas contemporâneas”

Antropolítica - Revista Contemporânea de Antropologia

ISSN: 2179-7331

Prazo: terça-feira, 22 de setembro de 2026

Faltam 42 dias para o encerramento

Descrição da Chamada

Este dossiê busca reunir artigos, ensaios visuais e outras expressões da pesquisa acadêmica que discutam as interconexões críticas entre trabalho e imagens em contextos nacionais e internacionais. Partimos da premissa de que as dimensões imagéticas e experienciais revelam aspectos fundamentais das vivências laborais contemporâneas, constituindo-se como campos potentes para a produção de conhecimento.

Interessa discutir como as diversas temporalidades das imagens possibilitam examinar desigualdades, interseccionalidades, moralidades e outras categorias analíticas das ciências sociais. Da mesma forma, buscamos saber de que modo abordagens teórico-etnográficas – envolvendo sons, fotografias, desenhos, vídeos e outras grafias – iluminam as múltiplas camadas da vida laboral. Como pensar a produção de imagéticas e narrativas de si no mundo contemporâneo, levando em conta o crescimento das tecnologias informacionais e a emergência de formas particulares de subjetividades políticas? Como essas expressões visuais reconfiguram o imaginário do trabalho, as disputas políticas por direitos sociais e as representações e identidades profissionais? Objetivamos acolher pesquisas de enfoque antropológico e áreas correlatas que abordem imagens em sentido amplo: fixas, em movimento ou sob formas gráficas diversas. Compreendemos as imagens como espaços de construção experiencial em profunda interação com o texto escrito, mas que permitem ir além dele.

Essa ampliação do escopo teórico em diálogo com a imagem funciona como um mecanismo ético – uma ferramenta de diálogo, aproximação e restituição (Ferraz, 2009) –, que amplifica a “ética de interação” (Rocha; Eckert, 2013, p. 105), característica da antropologia contemporânea. Interessa-nos tanto incluir imagens como objetos de análise (diferentes suportes interpelados ao longo da pesquisa), quanto como parte da produção do material etnográfico (ensaios, curadorias, coleções). A proposta de uma antropologia visual do trabalho, enquanto campo de atuação e inquietação teórica, implica não necessariamente a produção imagética por parte de quem pesquisa, mas requer sensibilidade para compreender as imagens que já circulam e são mobilizadas pelas pessoas no trabalho de campo.

As imagens abrem uma multiplicidade vasta e enriquecedora de possibilidades para estudar o fenômeno do trabalho, alinhando-se com práticas éticas da antropologia restitutiva, dialógica e colaborativa. Entre os possíveis enfoques estão: o imaginário do trabalho (Dantas, 2020); o estudo antropológico da memória do trabalho e de acervos documentais e fotográficos (Gómez; Rapkiewicz; Eckert, 2019); a análise detalhada de gestos e técnicas laborais (Caiuby, 2023); o estudo das sonoridades (Feld, 2004; Vedana, 2010); a investigação do cinema como campo de reflexão sobre o trabalho (Gama, 2024); as narrativas do “si mesmo” (Ricoeur, 1991) e as associações em que a “reprodução fotográfica atua como reprodução narrativa” (Giordano, 2011, p. 28). A potencialidade da imagem em sua aproximação com a memória tornou-a uma potencializadora de narrativas de duração – as “imagens significativas”, nos termos de Collier (1973), que dizem respeito a um aspecto simbólico e êmico do grupo cultural estudado, que “desafia as palavras, quando ver não consegue ser transmitido pelo descrever” (Moreira Leite, 2007, p. 221).

Concebemos o trabalho não como uma categoria isolada, mas em amplo diálogo com diversos campos da antropologia: meio ambiente, relações natureza-cultura, saúde, parentesco, gênero, raça, geração, corpo, nacionalidade, globalização, fluxos transnacionais, entre outros. Esta chamada emerge de uma inquietação mobilizada pela Rede Latino-americana de Antropologia do Trabalho (RELAT), que tem percebido, em congressos recentes, múltiplas expressões visuais do trabalho como recurso de pesquisa, registro de interação e forma de expressão dos trabalhadores em iniciativas colaborativas. Buscamos, assim, consolidar o estudo antropológico do trabalho como fenômeno imagético.

A proposta adequa-se a linha editorial da Antropolítica ao incentivar um atravessamento de debates fundamentais no campo das ciências sociais. Estão aliadas as discussões sobre as amplas transformações no mundo do trabalho e na economia política em diferentes contextos internacionais, bem como o fomento a uma discussão teórica aprofundada sobre maneiras de expressão da pesquisa acadêmica que envolvem a visualidade, as sonoridades e outras formas sensíveis. Esse conjunto de práticas e reflexões antropológicas alarga os marcos da disciplina, tornando a visualidade e outras técnicas fundamentais para o estreitamento de conexões, a restituição acadêmica e a atuação pública e política.

Bibliografia sugerida:

CAIUBY NOVAES, Sylvia. O Trabalho das Imagens — Imagens e sons do Trabalho. Fotocronografias, [s. l.], v. 6, n. 13, p. 158–169, 2023. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/fotocronografias/article/view/130823. Acesso em: 27 jan. 2026.

COLLIER, John. Avaliação e interpretação do inventário cultural. In: COLLIER, John. Antropologia visual: a fotografia como método de pesquisa. São Paulo: EPU: EDUSP, 1973. p. 113-154.

DANTAS, Luísa. Radicalizando o imaginário: Impactos das transformações do trabalho nas construções imagéticas de si de domésticas brasileiras. Iluminuras, Porto Alegre, v. 21, n. 52, 2020. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/iluminuras/article/view/101735. Acesso em: 27 jan. 2026.

FELD, Steven; BRENNEIS, Donald. Doing anthropology in sound. American Ethnologist, [s. l.], v. 31, n. 4, p. 461-474, 2004. Disponível em: http://sed.ucsd.edu/files/2014/01/Feld_Brenneis-2004.pdf. Acesso em: 8 jun. 2026.

FERRAZ, Ana Lúcia Marques Camargo. Dramaturgias da autonomia. São Paulo: Perspectiva, 2009.

GAMA DE ALMEIDA, Aline. Notas para uma etnografia-fílmica. Iluminuras, Porto Alegre, v. 25, n. 68, 2024. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/iluminuras/article/view/140448. Acesso em: 27 jan. 2026.

GIORDANO, Mariana. La imagen fotográfica: relato, huella y memoria. In: GIORDANO, Mariana; REYERO, Alejandra (comp.). Identidades en foco: fotografia e investigación social. Resistencia: Universidad Nacional del Nordeste, 2011. p. 21-38.

GÓMEZ, Guillermo; RAPKIEWICZ, Yuri; ECKERT, Cornelia. Etnografias da duração e os desejos de memória ferroviária no Sul do Brasil. Amazônica: Revista de Antropologia, Belém, v. 11, n. 1, p. 83-109, 2019. Disponível em: https://periodicos.ufpa.br/index.php/amazonica/article/view/6652. Acesso em: 27 jan. 2026.

MOREIRA LEITE, Miriam Lifchitz. Imagem e memória e Barreiras da Iconografia. In: MOREIRA LEITE, Miriam Lifchitz. Livros de viagem: 1803/1900. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2007. p. 119-263.

RICOEUR, Paul. O si e a identidade narrativa. In: RICOEUR, Paul. O si-mesmo como um outro. Campinas: Papirus, 1991. p. 139-200.

ROCHA, Ana Luiza Carvalho da; ECKERT, Cornelia. Etnografia da duração. Porto Alegre: Marcavisual, 2013.

VEDANA, Viviane. Territórios sonoros e ambiências: etnografia sonora e antropologia urbana. Iluminuras, Porto Alegre, v. 11, n. 25, 2010. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/iluminuras/article/view/15537. Acesso em: 8 jun. 2026.

Considerando os critérios de avaliação imposto às revistas científicas, poderão ser selecionados 50% artigos de doutorandos, os demais artigos devem ter autoria de, ao menos, um doutor. Todos os artigos submetidos serão submetidos à avaliação às cegas de pareceristas externos, atendendo à política da revista. Para dar conta da diversidade de abordagens teóricas e metodológicas dos diferentes campos empíricos e problemáticas a serem debatidos, serão aceitos, preferencialmente, artigos das áreas de Antropologia e Ciências Sociais, observados os parâmetros de exogenia em relação à UFF.

Organizadores: Aline Gama de Almeida (UERJ), Guillermo Stefano Rosa Gómez (UFRGS) e Luísa Maria Silva Dantas (UFPA).

Prazo: 22/09/2026.

OBS: Faz-se obrigatório indicar no campo ‘Comentários aos editores’ que a submissão é para o Dossiê “Antropologia do trabalho”.

As contribuições podem ser enviadas até 22 de setembro de 2026 pelo sistema eletrônico da revista: https://periodicos.uff.br/antropolitica/about/submissions#onlineSubmissions

Áreas do Conhecimento

Sociologia do Trabalho
Antropologia Urbana
Teoria Antropológica
Antropologia Visual
Antropologia Rural

Detalhes Técnicos

  • Classificação:
    QUALIS A2
  • Tipo:Revista Científica
  • ISSN:2179-7331
  • Taxa:Gratuito (sem taxas)
  • Submissão:Até 22/09/2026

Informações de Publicação

Publicado em: 23/06/2026
Atualizado em: 23/06/2026

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